O Podcast “Ciência Suja” entrou em contato conosco, explicando que fará mais um episódio sobre o MPV – Médicos Pela Vida, grupo que se notabilizou na linha de frente da COVID-19, reduzindo dramaticamente a taxa de mortalidade entre os infectados pela doença. Theo Ruprecht, um dos criadores do podcast, enviou perguntas. Antes, vamos ao contexto:
O que é o “Ciência Suja” e o que eles se propõe?
Eles se definem assim: “Contamos histórias de fraudes científicas e seus prejuízos para a sociedade”.
Ou seja, supostamente, eles usam o mau exemplo (fraudes, pseudociência, negacionismo, interesses comerciais, erros graves etc.) para destacar a importância de uma ciência ética, rigorosa e responsável.
A mensagem inicial do “Ciência Suja”
Theo Ruprecht enviou uma mensagem diretamente para Antonio Jordão, presidente do MPV:
Olá Dr Antonio Jordão, tudo bem? Aqui é o Theo Ruprecht, jornalista e um dos criadores do podcast Ciência Suja. Tomei a liberdade de contatá-lo por WhatsApp porque estamos, no momento, produzindo um episódio sobre assédio judicial na ciência e na comunicação científica. Nesse episódio, abordaremos os processos que o MPV moveu contra o podcast, as decisões judiciais etc. Diante disso, gostaríamos de saber se o MPV teria algo a comentar em uma entrevista por Zoom, ou se preferiria responder as perguntas que já deixo abaixo. Nosso prazo é o final da semana que vem (10/04). Em paralelo, estou enviando mensagem similar para um e-mail e um contato de WhatsApp disponibilizado no site do MPV.
Ele enviou perguntas. Por transparência, responderemos publicamente, posteriormente, neste texto. Leia as perguntas:
PERGUNTAS:
1 – O relatório de 2025 do Monitor de Assédio Judicial, da Abraji, registrou 12 ações que aquela associação classificou como assédio judicial do Médicos Pela Vida. O MPV é caracterizado como um “litigante contumaz” no documento. O que diriam sobre isso?
2 – Nos processos contra o Ciência Suja e em outros, o escritório de advocacia usado foi o mesmo do Luciano Hang. Esse empresário ajudou a financiar processos e outras ações do MPV?
3 – Os senhores teriam comentários sobre as decisões proferidas até agora dos processos movidos contra o Ciência Suja?
4 – Sobre o andamento das ações em si (o pedido prévio de remoção de conteúdo antes de entrarem em contato com o Ciência Suja; as ações paralelas em instâncias cíveis e criminais, os recursos interpostos), o MPV gostaria de fazer algum comentário?
5 – O MPV também moveu uma ação contra o pesquisador Pedro Arantes (Unifesp), que será abordada no episódio. Algo a comentar sobre esse caso e a decisão judicial sobre ele?
Fomos ler o relatório da ABRAJI
Eles citaram a ABRAJI – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, que publicou, no início do ano, o relatório: “Monitor de assédio judicial contra jornalistas no Brasil 2025”.
Em um trecho do relatório, eles se referem ao MPV assim. Destacamos alguns pontos em negrito:
No caso do Médicos Pela Vida, a organização ganhou destaque por defender o chamado “tratamento precoce” e posicionar-se contra a vacinação obrigatória de crianças durante a pandemia de Covid-19. O evento pandêmico conferiu maior visibilidade ao papel dos médicos na sociedade e, consequentemente, maior proeminência às posições de uma entidade composta por médicos durante o período, levando a ONG ao Judiciário com o intuito de validar suas posições ideológicas através do litígio judicial.
Sim, a ABRAJI acerta que o MPV posiciona-se contra a vacinação obrigatória de crianças durante a COVID-19. A ABRAJI possui 1800 membros, que seriam jornalistas que investigam dados e fatos. Ou seja, investigativos.
Vamos agora aos fatos. O Brasil é o único país do mundo obrigando vacinas COVID-19 em crianças. Único. Nenhum outro país do planeta faz isso. Vamos repetir o fato para que fique clara a aberração: o Brasil é o único país do mundo que obriga crianças se vacinarem COVID. (Detalhe: injeções genéticas que pela primeira vez na história da medicina chamaram de vacinas). Todos os outros países deixam os pais decidirem se querem ou não querem esses produtos em suas crianças.
Vamos mais longe um pouco agora, aprofundando neste fato. Enquanto o Brasil obriga, países como Reino Unido, Alemanha, Suécia, Dinamarca e Suíça, apenas para citar alguns exemplos, sequer recomendam para crianças saudáveis, a imensa maioria delas. Recomendam para uma ou outra, bem doente, depois de um exame médico rigoroso, e receita médica indicando. Mesmo assim, neste caso, é apenas recomendação. Jamais obrigam nas crianças.
Sabem o motivo de sequer recomendarem? Basta uma investigação simples, rápida, e uso da lógica. Porque o risco supera os possíveis benefícios. Simples assim.
Portanto, sim, posicionar-se contra o Brasil ser a desova de produtos farmacêuticos rejeitados pelo mundo todo, por motivos nada claros, nada científicos, ou fraudulentos, é imperativo moral.
Análise óbvia
O vírus COVID-19 que circula nesses países europeus é exatamente o mesmo vírus que circula no Brasil. A constituição biológica das crianças europeias é exatamente a mesma das crianças brasileiras.
Para a análise de risco e benefício ser diferente, precisaríamos de evidências científicas que o vírus da COVID no Brasil é mais grave ou que crianças brasileiras são mais resistentes aos efeitos colaterais das vacinas. Isso não existe.
Um único terceiro motivo lógico existente seria acusar esses países de serem “pobres”, e que estão, portanto, economizando em vacinas, mas isso, obviamente, não é crível até para o mais alienado leitor.
Ou seja, estamos diante de uma política que contraria todas as evidências científicas internacionais e que, por coincidência, gera demanda e lucros para os fabricantes dessas vacinas. Portanto, prezado leitor, nós, do MPV, temos algumas questões importantes.
Diante dos fatos, responda para você mesmo, leitor:
1 – 1800 jornalistas investigativos. Não é pouca gente. Nenhum deles foi capaz de investigar as diferenças nas políticas de vacinação no Brasil e no restante do mundo, para fazerem as perguntas sem respostas para as pessoas certas?
2 – Nenhum desses jornalistas investigativos foi investigar as motivações do Brasil ser a desova de produtos farmacêuticos rejeitados pelo mundo todo, incluindo interesses comerciais?
3 – A ABRAJI, em seu relatório, acusa o MPV de “validar suas posições ideológicas através do litígio judicial”. Este ataque tem o objetivo de colocar uma névoa em cima do debate, tentando nos acusar de sermos “ ideologicos ”, mas é um debate absolutamente justificável e científico. Ou a ABRAJI é capaz de acusar que o Reino Unido, a Dinamarca, a Suécia, a Alemanha e a Suíça são “radicais de direita”, e que suas políticas publicas de saúde são “ideologicas” e anti científicas?
4 – O “Ciência suja” é formado por supostos especialistas em jornalismo de ciência e saúde, com suposto primordial interesse por fraudes ou interesses comerciais. Eles nunca foram atrás da fraude científica ou interesse comercial que justificaria essa aberração?
5 – O “Ciência Suja” terá coragem de questionar o fato do Brasil possuir política que contraria evidências científicas e condutas internacionais, mesmo sabendo que isso prejudica os interesses comerciais de grandes corporações farmacêuticas?
Respostas diretas do MPV às perguntas do Podcast Ciência Suja
Publicamos abaixo as respostas enviadas ao Theo Ruprecht, elaboradas pela assessoria jurídica do MPV:
1. Sobre o relatório da Abraji e o suposto “assédio judicial” e “litigante contumaz”:
O Médicos Pela Vida exerceu, em todos os casos, seu legítimo direito constitucional de ação para reparar publicações que considera inverídicas, ofensivas ou que geram dano à honra e à imagem dos médicos associados. Não há qualquer assédio judicial. Classificar o exercício regular do direito de ação como “assédio” é uma tentativa de criminalizar a defesa judicial legítima, especialmente quando as críticas envolvem temas de saúde pública e conduta profissional. Repudiamos a tentativa tosca de rotulação e desqualificação.
2. Sobre o escritório de advocacia e suposto financiamento por Luciano Hang:
Não existe qualquer relação financeira ou de financiamento do Sr. Luciano Hang com o MPV. O fato de o escritório de advocacia ter atuado em outros casos envolvendo o empresário não cria qualquer vínculo com nossa associação. Essa tentativa de associação é mera ilação sem provas e uma tentativa de criar narrativa política e ideológica, e diferentemente disso, destacamos que o MPV é um movimento médico centrado na ciência.
3. Sobre as decisões judiciais nos processos contra o Ciência Suja:
O MPV respeita as decisões do Poder Judiciário, como é próprio de uma instituição que atua dentro da lei. No entanto, consideramos que as ações propostas são procedentes e continuaremos defendendo nossos direitos nas instâncias cabíveis.
4. Sobre o andamento das ações (pedido prévio de remoção, ações cíveis e criminais, recursos etc.):
Todas as ações são públicas e tramitam de forma transparente. O MPV se manifesta judicialmente, como determina o devido processo legal. A narrativa de que o exercício do direito de ação configura “assédio” é uma lamentável estratégia de retaliação contra quem ousa contestar publicações que consideramos irresponsáveis ou difamatórias.
5. Sobre a ação contra o pesquisador Pedro Arantes (Unifesp):
Já respondido nos itens anteriores. O MPV adota a mesma postura em todos os casos: quando uma publicação ou declaração difama ou ofende gravemente a honra e a imagem dos médicos associados, a associação ingressa com as medidas judiciais cabíveis. Isso vale para o Ciência Suja, para matérias da Folha de S.Paulo ou para qualquer outra pessoa ou instituição. Trata-se do exercício normal e constitucional do direito de ação, e não de “assédio judicial”.
Caso “Ciência Suja”.
O próprio teaser de divulgação do episódio já demonstra o tom sensacionalista e irresponsável que o podcast adota.

No dia da estreia da 3ª temporada, o perfil oficial do Ciência Suja publicou a seguinte chamada:
“Na estreia da 3ª temporada, investigamos redes de desinformação antivacina, com foco em um grupo específico: o Médicos Pela Vida (MPV). Entre teorias da conspiração e vendas de passaporte vacinal falso, revelamos uma ligação entre antivaxxers, extrema direita e até neonazistas.”
É importante deixar claro:
- O MPV nunca vendeu, indicou, participou ou teve qualquer relação com passaportes vacinais falsos. Essa afirmação é gravemente falsa e difamatória.
- Associar uma entidade formada por médicos que atuaram na linha de frente da pandemia com “extrema direita e neonazistas” é uma tática clara de demonização. Eles misturam tudo no mesmo pacote para desqualificar sem precisar debater os argumentos científicos.
- Mesmo que, dentro do episódio, eles tentem separar as coisas, a chamada pública (que é o que a grande maioria das pessoas vê) já cria a associação negativa.
É exatamente por isso que o MPV recorreu à Justiça.
Não se trata de “assédio judicial”, como tenta narrar o Ciência Suja. Trata-se de defesa legítima contra difamação clara e contra a tentativa de associar uma entidade médica séria a criminosos e extremistas.
Mesmo com algumas decisões iniciais contrárias, vamos recorrer até as últimas instâncias. Difamar profissionais que salvaram vidas durante a pandemia e depois se vitimizar não vai ficar sem resposta.
Caso Pedro Arantes
Pedro Arantes é do Grupo “Sou Ciência” que se auto define como um Centro de Estudos e Think Tank sobre Sociedade, Universidade e Ciência. Em sua página oficial, eles informam que são sediados na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Para explicar o caso Pedro Arantes, vamos em duas partes:
Caso Pedro Arantes 1 -“Sou ciência”, na Folha de S. Paulo.
Este Think Tank possuía uma coluna na Folha de S. Paulo. Pedro Arantes era um dos que assinavam a coluna, junto com Soraya Smaili, Maria Angélica Minhoto e Letícia Sarturi. No fim de setembro de 2024, eles publicaram uma coluna com o seguinte título: “Um negacionista moderado?”. O artigo discutia o passaporte vacinal implantado na cidade durante a campanha de vacinação COVID-19, entre outros aspectos da pandemia. Os autores defendiam a eficácia do passaporte para conter a propagação do vírus.
No texto, fizeram as seguintes afirmações científicas:
- “As vacinas foram fundamentais na redução da mortalidade, no controle da transmissão do vírus e na mitigação do colapso dos sistemas de saúde em todo o mundo”.
- “Só os lunáticos acreditam que a covid-19 foi relativamente domada sem o uso intensivo das vacinas. Para quem não se lembra, os ‘passaportes da vacina’ desempenharam um papel crucial no auge da pandemia, servindo como uma ferramenta de saúde pública que ajudou a conter a disseminação do vírus, estimular a vacinação e possibilitar a retomada gradual de atividades”.
Na sequência, pediram condenação e prisão de quem discordasse:
- “Justiça, condenação e prisão”.
- “Cassação da carteira profissional”.
O MPV tem uma aba em seu site de Checagem de Fatos. Enviamos as questões à Folha, pedindo evidências científicas sólidas de que as vacinas COVID-19 reduzem a transmissão. Além disso, pedimos evidências conclusivas da eficácia das máscaras, que eles também afirmaram no texto existir. Eles não tinham evidências científicas disso.
Alguns meses depois, o jurídico da Folha de São Paulo respondeu. Explicou que eram meras opiniões dos autores. Sim, opiniões dos autores que as vacinas reduzem a transmissão e opinião que as máscaras funcionam. E baseado na opiniões, quem discordasse deveria ser preso.
Essa história pode ser lida em detalhes aqui: Checagem: leia a surpreendente resposta do jurídico da Folha de S. Paulo ao MPV – Médicos Pela Vida
Caso Pedro Arantes 2 – Acusações ao MPV no palco do Ministério da Saúde
Em 2024, em um evento no Ministério da Saúde, em um seminário para concepção e criação do Memorial da Pandemia de Covid-19, Pedro Arantes foi convidado. Ao se referir ao MPV, conforme vídeo provando (exatamente em 6h00m09s), Arantes disse:
“Aí o famoso grupo médicos pela vida, né… um grupo criminoso que provavelmente deve ser julgado em breve”.
Arantes fazia isso enquanto mostrava telas, em sua apresentação, do que classifica como “desinformação” sobre vacinas. Se referia a conteúdos que o MPV editorialmente publica, baseados em sólidos estudos científicos, em vez de opiniões.
Obviamente, ao sermos chamados de criminosos, interpelamos judicialmente e buscamos nossos direitos. Isso não é assédio.
Análise do caso Pedro Arantes
- Arantes tem a opinião pessoal que as vacinas COVID-19 reduzem a transmissão (a justificativa principal do passaporte sanitário).
- Arantes não se baseia em estudos científicos para construir sua opinião. Ou seja, Arantes se baseia única e exclusivamente em vozes de sua cabeça.
- E quem discordar dessas ecoantes vozes, segundo ele, é “criminoso” e precisa de “justiça, condenação e prisão”.
- E incrivelmente ele ganha espaço na Folha e no Ministério da Saúde para pedir prisão de quem discordar de seu delírio. O crime? Não delirar junto.
Observação: absolutamente todas as opiniões de Pedro Arantes, amplificadas de todos os modos, ajudam as grandes corporações do ramo farmacêutico a lucrarem ainda mais. Isto é, certamente, uma mera coincidência.
Conclusão
O Médicos Pela Vida não tem medo do debate. Pelo contrário: publicamos aqui, na íntegra, as perguntas do podcast Ciência Suja e nossas respostas, com total transparência.
Enquanto o Ciência Suja se apresenta como “caçador de fraudes científicas”, ele evita, há anos, o debate científico central e mais importante dos últimos anos: o Brasil é o único país do mundo que obriga crianças saudáveis a tomarem a vacina contra Covid-19, contrariando a posição de dezenas de nações desenvolvidas.
Se o podcast realmente se importa com ciência, integridade e combate a interesses comerciais, que aborde esta aberração sanitária e ética. Caso contrário, ficará evidente que o verdadeiro objetivo não é defender a ciência, mas atacar quem ousou discordar dos interesses monetários da indústria e alienar os próprios ouvintes. Além disso, esse assunto não pode ser tratado como assunto menor, de pouco interesse. Há crianças sendo feridas agora, há famílias sendo oprimidas agora.
O MPV continuará fazendo o que sempre fez: salvar vidas com tratamento precoce, defender a boa medicina e usar todos os instrumentos legais para proteger a honra de seus médicos quando forem difamados ou caluniados.
A verdade não precisa de assédio judicial.
A verdade precisa apenas de coragem para ser dita.
E nós, aqui, olhando o comportamento do “Ciência Suja”, que promete, de pés juntos e dedos cruzados, serem caçadores de fraudes na ciência, mas que atacam raivosamente todos e quaisquer críticos dos interesses de grandes corporações imperialistas, se vermos algum de seus ouvintes os denunciarem no PROCON por propaganda enganosa, também não entenderemos como algum tipo de assédio. Afinal, eles, definitivamente, não cumprem o que prometem.
Até o presente momento, o “Ciência Suja” não parece ter nome mais apropriado. Sugerimos uma Ciência Limpa, com o jornalismo cumprindo a sua missão fundamental: o debate. Apresentando versões para que o leitor tire suas conclusões. E quando emitir um posicionamento no campo científico, que o mesmo venha acompanhado dos respectivos estudos e grau de evidência. Do contrário, parece apenas narrativa a serviço de interesses nem sempre explícitos, nem sempre pela ciência ou pela saúde e vida das pessoas.
Convocamos todos os médicos, pacientes e cidadãos que valorizam a liberdade científica: leiam, compartilhem e tirem suas próprias conclusões.
