A Agência Lupa prepara uma reportagem difamatória contra o MPV – Médicos Pela Vida. Eles nos enviaram um e-mail com questionamentos. Aqui, colocaremos todas as respostas na íntegra. Antes, vamos ao contexto:
Quem é a Agência Lupa?
Fundada em 2015, a Agência Lupa, uma empresa privada, se define como a primeira agência de notícias especializada em checagem de fatos do Brasil. “A Lupa existe para qualificar o debate público e proteger você no ambiente digital”, informam em seu website.
Do início até 2018, segundo a Wikipedia, seu financiamento se deu através da Editora Alvinegra, de João Moreira Salles, cuja fortuna, segundo a revista Forbes, é de incríveis R$ 25,5 bilhões. A origem patrimonial é via Banco Itaú.
Em 2024, o faturamento da Agência Lupa passou de R$ 4 milhões, informam em seu texto institucional. Também informam que o Instituto Artigo 220, que possui João Moreira Salles no conselho editorial, através da Editora Alvinegra, se mantém como sócio.
Contexto: bilionários e a pandemia
A pandemia foi a maior transferência de renda da história da humanidade dos pobres para os bilionários. Não é mera retórica. Sim, foi a maior da história, segundo relatório da Oxfam Global 2022.
A COVID-19 foi uma dádiva para os super ricos. Durante os anos de 2020 a 2022, enquanto micro e pequenas empresas foram obrigadas a fecharem as portas e bilhões de pessoas enfrentavam perda de empregos, fome e pobreza extrema, as megaempresas, bancos e bilionários viram suas fortunas irem para as alturas, impulsionadas por pacotes de estímulos econômicos e subsídios, com valorização de ações e lucros corporativos recordes.
“Os dez homens mais ricos dobraram suas fortunas durante a pandemia, enquanto a renda de 99% da humanidade caiu”, é o título do relatório.
Agência Lupa é financiada pela big pharma
Segundo o próprio site da Agência Lupa, seu modelo de financiamento advém de parcerias com empresas privadas ”como instituições bancárias e farmacêuticas”, os dois ramos de negócio que mais lucraram com as respostas dos governos e instituições supranacionais à pandemia e, portanto, os mais interessados em que a narrativa oficial seja preservada e justificada.

Segundo o jornal Washington Post, executivos de fabricantes de vacinas COVID-19 passaram a figurar na lista da Forbes entre os norteamericanos mais ricos. Ou seja, os dois ramos do topo da lista da Forbes.
Parceria na prática: Lupa, lado a lado com a Pfizer, Moderna…
A Agência Lupa figura como “parceira” no site de campanha publicitária de produtos farmacêuticos da Sociedade Brasileira de Infectologia. O logo da Lupa fica ao lado dos logos da Pfizer e da Moderna, entre outras megaempresas farmacêuticas.

Print do site publicitário da SBI (link de arquivo aqui)
E quem é o MPV?
O MPV é uma associação de médicos que se notabilizaram na linha de frente da COVID-19, reduzindo drasticamente a taxa de mortalidade da doença com protocolos de tratamento envolvendo medicamentos genéricos, baratos e sem patentes.
Além disso, o MPV se colocou contra todos os tradicionais abusos das poderosas corporações imperialistas do ramo farmacêutico, denunciou a captura regulatória, as propagandas enganosas, e produziu análises profundas – fundamentadas na lógica e nas evidências científicas – sobre os riscos e benefícios dos produtos dessas corporações, inclusive denunciando a má qualidade de diversos produtos.
Indo mais à frente, o MPV contestou respostas oficiais autoritárias de políticas públicas sem sólidas bases científicas, como o lockdown, que causou a maior transferência de renda dos pobres para os ricos, aumento das diferenças sociais, da evasão escolar e de problemas de saúde mental.
Ou seja, o MPV nunca deixou de se levantar contra os poderosos, exatamente os ramos de negócios que são proprietários ou patrocinam diretamente a Agência Lupa.
Não há surpresas, portanto, do porque o MPV é alvo de ataques.
O e-mail da Lupa
Antes da Lupa enviar as perguntas, o repórter Ítalo Rômany já deu o tom que a matéria terá:
Prezados, bom dia.
Meu nome é Ítalo Rômany, sou repórter da agência Lupa e estamos produzindo uma reportagem sobre a atuação do Médicos Pela Vida após a pandemia.
A reportagem que estamos produzindo mostra como o movimento Médicos Pela Vida, que ganhou projeção nacional durante a pandemia de Covid-19 ao defender o chamado “tratamento precoce” e questionar a vacinação, reorganizou sua atuação após o fim da emergência sanitária. Com base na análise de transmissões, postagens e documentos públicos, a reportagem mostra como o grupo associa a defesa da “cultura da vida” a teorias sobre controle populacional, Agenda 2030 e globalismo, além de manter discursos contrários às vacinas e promover cursos sobre temas sem respaldo científico, evidenciando uma reconfiguração de sua atuação política e ideológica.
A reportagem analisou a atuação do Médicos pela Vida a partir de conteúdos publicados pelo próprio grupo em seus canais oficiais no YouTube e no Telegram. O recorte temporal abrangeu dois períodos: de abril a novembro de 2025 e de janeiro a março de 2026.
Entro em contato porque gostaríamos de um posicionamento de vocês sobre as questões abaixo. Caso prefiram, podemos marcar um meet. Nosso deadline é até dia 15/julho.
Vamos comentar detalhadamente cada uma das afirmações da introdução:
“O chamado ‘tratamento precoce’”
Aqui, vale a pena, para iniciar, destrinchar como o repórter já toma posição em sua primeira afirmação, sinalizando como será a matéria. “O chamado tratamento precoce” funciona como um marcador de distanciamento epistêmico. É o equivalente das aspas de ironia. A função é: sinalizar ao leitor, antes mesmo de qualquer argumento ser apresentado, que aquele termo não é aceito pelo autor do texto como uma descrição neutra ou tecnicamente válida da realidade. É apenas “como eles chamam”, não “como é”.
Entretanto, os dados são claros: médicos que trataram pacientes ambulatorialmente — em até 5 dias de sintomas, antes da internação ou UTI, tanto no Brasil como no exterior, reduziram drasticamente a mortalidade da doença. Em 2022, após a Folha de S. Paulo revelar os números do desempenho do Dr. Davi Uip, que não fazia tratamento precoce, fomos capazes de comparar com os médicos que fizeram. Uip tratou 2.200 pacientes de COVID-19. Destes, 850 foram internados e 54 morreram. Sua taxa de letalidade foi, portanto, 2,45%.
No levantamento de exemplos que fizemos e publicamos na época, os resultados dos médicos que trataram, comparados com os resultados do Dr David Uip, houve uma redução de letalidade de 94.60% entre os que tratavam. (p<0.00001 RR = 0.054 (IC de 95%: [0.035,0.083]).
Números absolutos: 33 óbitos de 24.895 pacientes no tratamento precoce vs 54 óbitos de 2.200 pacientes de Uip.
Prezado Ítalo, sabemos que você vai pegar essa informação e vai passar para alguém, por exemplo, da SBI – Sociedade Brasileira de Infectologia, parceira de vocês ali, naquele site, onde vocês ficam lado a lado com o logotipo da Pfizer e da Moderna. A cantilena, para tentar negar o óbvio, sabemos, há muito tempo. Primeiramente, vão pedir estudos revisados por pares. Então já vamos enviar.
Um deles é o estudo do Dr. Brian Procter, dos EUA. Ele usou um cocktail com múltiplos medicamentos, envolvendo budesonida, hidroxicloroquina, ivermectina, zinco, azitromicina, entre outros. Ele tratou 869 pacientes com COVID-19. E foram apenas pacientes com mais de 50 anos ou, se menores de 50, com pelo menos uma comorbidade. Os mais novos de 50 sem comorbidades, Dr Procter entendeu não ser necessário tratar. Entre os 869 pacientes tratados, apenas 20 precisaram ser internados e apenas dois faleceram.
Dois óbitos entre 869 pacientes, em uma pandemia mortal. Faça você mesmo as contas e compare com os resultados médios históricos ou o Dr. Uip.
Poderíamos ficar aqui listando dezenas de estudos. Mas vamos listar apenas mais alguns. Veja o caso dos médicos Dr. George Fareed e Dr. Brian Tyson, dos EUA. Juntos, eles trataram nos primeiros dias de sintomas, 3.962 pacientes. Entre aqueles que iniciaram cedo a medicação, ninguém morreu. Ninguém. Dos 413 pacientes que chegaram após a fase inicial da doença, com mais de cinco dias de sintomas, a dupla norteamericana teve apenas três óbitos.
No Peru, o Dr. Roberto Alfonso Accinelli tratou 1,265 pacientes e teve 7 óbitos relatados em seu estudo revisado por pares. Neste caso, entre os 360 que foram tratados dentro de três dias de sintomas, ninguém morreu. Tem mais um monte. De resultados de médicos, na linha de frente, temos mais um monte. É só ir por aqui.
Sabemos, Ítalo, que você está tentando, diante desses dados, procurar algum argumento para desqualificar esses estudos, certo? E você vai entregar esses estudos para algum “especialista”. Sabemos para onde ele vai tentar mover as traves do gol: vai dizer que esses estudos não são randomizados, “padrão ouro”. Esse “chamado especialista”, vai te garantir que apenas estudos randomizados comprovam eficácia, que estudos observacionais apenas sugerem, nada mais que isso.
Você vai jogar essa metanálise, da Cochrane, para ele. Esse estudo destrói essa mera narrativa, bem útil, aos interesses de grandes corporações farmacêuticas. Conclui que não existem diferenças significativas de resultados entre estudos observacionais e o “padrão ouro”, principalmente quando a eficácia é maior que 8%. Ou seja, o estudo afirma que os estudos observacionais comprovam, sim, eficácia.
E se seu especialista insistir, porque é o que ele deseja acreditar (wishful thinking), e você também, pergunte a ele se insulina, para diabéticos, é comprovada cientificamente, afinal, nunca fizeram um estudo insulina vs. placebo. Sabe onde mais nunca foi feito estudo “padrão ouro”, randomizado, controlado por placebo? A vacina do tétano. Pergunte a ele se é “comprovadamente ineficaz”.
Ainda, na questão dos estudos observacionais, pergunte se as vacinas COVID-19 são ou foram eficazes em reduzir mortes pela doença. No estudo randomizado, oficial, da Pfizer, isso sequer chegou perto de ser comprovado. Quem afirma isso, tem que se basear em estudos observacionais. Portanto, não vale duplo padrão, certo? Observacionais que deseja acreditar são válidos, mas o que quer rejeitar, “não comprovam nada”.
Vamos seguir com sua abertura:
“..e questionar a vacinação”.
Prezado Ítalo, dizer uma frase assim, do MPV, de “questionar a vacinação”, reducionismo alienante, que só pode estar vindo de alguém que caiu de paraquedas agora no assunto, se aprofundou pouco, ou que está montando uma narrativa com algum objetivo. Não há mais opções.
Quais vacinas, para quais doenças, para quais públicos? Dizer que o que o MPV faz é “questionar a vacinação” é simplório, estigmatizante, nada informativo e nada profissional. É apenas o contrário do slogan para pessoas simplórias, embalado, pronto, na cabeça: “vacinas salvam vidas”. Depende. Qual vacina? Somos médicos que aliam arte e ciência de verdade. Nós questionamos.
Vamos a um exemplo rápido, que você não viu, que destrói a narrativa que você está montando. Ano passado publicamos a seguinte notícia em nosso website: “Estudo comprova eficácia da vacina BCG contra a Covid-19”.
É uma metaanálise. A velha e segura BCG conseguiu o que as vacinas COVID-19 da big pharma não conseguiram. Demonstrou em estudos “padrão ouro”, randomizados, controlados por placebo, redução significativa de mortes. Muitos de nossos associados falaram da BCG desde o início da pandemia em diversos meios. As evidências estavam se formando. Valia a pena. Muitas vidas teriam sido salvas.
Mas sabe como é, né? É uma vacina sem patentes, sem dono. Ninguém iria para a Forbes. Custa centavos por dose. Vacinas sem patentes não tem o maior e mais poderoso lobby do mundo, não patrocinam ninguém, nem sociedades médicas, nem levam médicos para resorts, nem estão listadas no “modelos de financiamento” dos chamados checadores de fatos.
Ou seja, Ítalo, está aí um fato, registrado, documentado, que desmonta facilmente sua tentativa de criar uma narrativa de “questionar a vacinação” de forma genérica.
E somos capazes de deixar sua abordagem ainda mais simplória. Atente-se à importância dos fatos: o Brasil é o único país do mundo obrigando vacinas COVID-19 em crianças de 6 meses a 5 anos. Único. Para todas as crianças. Nenhum outro país do mundo faz isso.
Para o contraste ficar ainda maior, vamos olhar para países da Europa. Vamos comparar. Enquanto o Brasil obriga, Suécia, Dinamarca, Suíça, Alemanha, Reino Unido, apenas para citar alguns exemplos, sequer recomendam para crianças saudáveis, a imensa maioria. Recomendam para uma ou outra, com comorbidades, depois de um exame médico rigoroso, com receita médica indicando. E mesmo assim, sem obrigar.
Ou seja, Ítalo. O Brasil é desova de produtos farmacêuticos do mundo todo. Isso, como pode-se imaginar, é bem lucrativo. Uma pergunta sincera: isso, para você, ou para a Lupa, é “questionar a vacinação”?
O MPV concordar com o mundo todo e criticar o Brasil é “questionar a vacinação?”. Ou se o MPV disser que a Alemanha, Reino Unido, Suécia, modelos de saúde pública para o mundo, estão certos e o Brasil errado significa, para você, que esses países “questionam a vacinação?”.
Mas já sabemos. Não se preocupe. A Lupa não vai falar dessa aberração, desse abuso. E se você, como repórter, tentar, será bloqueado, demitido. Ninguém da grande mídia está falando disso, estamos sozinhos, insistindo, o tempo todo, falando em círculos. Imaginamos aqui que não falarão, e possivelmente, o motivo esteja em sua página institucional, bem onde lista o “modelo de financiamento”.
“…teorias sobre controle populacional”.
O MPV não tem o controle populacional como pauta editorial, conforme pode ser conferido em nossa aba de editoriais, mas não censura médicos que, preocupados com a queda vertiginosa da natalidade global e os riscos à saúde reprodutiva, buscam entender as causas desse fenômeno. O microfone, em nossas lives e transmissões, está aberto para hipóteses científicas, algo que parece assustar quem prefere o silêncio do consenso fabricado.
Entendemos que você, Ítalo, tenta nos pintar como “conspiratórios”. Entretanto, no site das Nações Unidas, recente, de 2025, temos um artigo: “Relatório soa alarme sobre crise global de fertilidade e suas consequências | Queda global das taxas de nascimento no mundo ONU News”.
A discussão é intelectualmente e completamente válida. Principalmente para um grupo que discute medicina que inclui, obviamente, reprodução humana.
“…Agenda 2030 e globalismo”
Prezado Ítalo, o modo que você escreve, aqui também, tenta nos pintar como “conspiracionistas”. Mas vamos explicar, de modo simples. Seremos didáticos. Você deve ser capaz de entender.
O que é “globalismo”? Globalismo entendemos como um pouco diferente de “Globalização”, tema discutido com profundidade pelo geógrafo e intelectual Milton Santos, que deixou uma larga literatura sobre o tema.
Globalismo, tratado por muitos dos entrevistados em nossas lives, questiona o poder de órgãos internacionais de influenciar leis, regras e respostas governamentais à crises. Com o poder de comunicação atual, isso ocorre de modo global, ou seja, no mundo todo de modo simultâneo, com poucos questionamentos. O tema é debatido em todos os espectros políticos, muitas vezes com outro nome: imperialismo.
Essa discussão é importante porque grandes corporações têm a prática, comum, documentada, estudada, da captura regulatória. Vamos a um exemplo prático.
Durante a COVID-19, o lockdown foi implantado de modo simultâneo na imensa maioria dos países, e de modo rigoroso e autoritário. Poucos ousaram questionar, e um exemplo foi a Suécia. Ou seja, a Suécia questionou o “globalismo” e tomou suas próprias decisões. Na época, o governo sueco foi atacado e difamado no mundo todo, por diversos órgãos de imprensa, de diversos países, que previam uma catástrofe sem precedentes.
Recentemente, o New York Times, praticamente pediu desculpas ao governo sueco. David Wallace-Wells, do The New York Times, analisou que a Suécia, ao evitar lockdowns, obteve resultados de mortalidade e economia similares a países com restrições severas, com dados consolidados pós-pandemia.
Outros órgãos de mídia foram no mesmo sentido, até mostrando uma taxa de mortalidade menor na Suécia, como o respeitado “The Spectator” da Inglaterra.
Ou seja, a discussão é válida, correta, importante para que não se repita no futuro, em outras pandemias respiratórias. Não nos curvaremos às tentativas de calar debates legítimos os enquadrando como “teoria de conspiração”. Afinal, e esses veículos respeitados validaram a postura sueca, a Lupa não pode classificar o questionamento às diretrizes globais como mera “conspiração” sem ignorar os próprios fatos jornalísticos internacionais.
Questões diretas
Ítalo, da Agência Lupa, além da introdução, enviou questões diretas para o MPV. Aqui as responderemos.
O Médicos Pela Vida concorda com a afirmação de que, após o fim da pandemia, passou a concentrar sua atuação principalmente na pauta do aborto? Como o grupo define hoje suas principais frentes de atuação?
Não. O MPV não concorda. Vocês abriram nosso website? Não temos um editorial sobre esse assunto – pelo menos, por enquanto. Entretanto, em nossas lives e transmissões, nós prezamos pela liberdade de cátedra. Não censuramos assuntos nem abordagens, que inclusive, envolvem, obviamente, políticas de saúde pública. Entre os convidados e associados, temos diversas visões: conservadores, libertários, progressistas, e podemos fazer, hora ou outra, debates de ideias que, inclusive, podem confrontar umas às outras.
Hoje, nossas principais pautas editoriais, envolvendo diversos textos e editoriais, são duas. A primeira é reverter o absurdo do Brasil ser a desova de produtos farmacêuticos rejeitados pelo mundo todo, contrariando o consenso científico de todos os países. Recentemente também temos abordado o flúor na água, mostrando as evidências científicas da do perigo disso, sem utilidade visível, comprovada.
O grupo defende que existe uma estratégia internacional de “controle populacional” por trás da descriminalização do aborto. Quais evidências documentais ou científicas sustentam essa afirmação?
O grupo, institucionalmente, não defende isso. Está em algum editorial, na opinião do MPV? Não. Entretanto, todos os convidados para nossas transmissões têm liberdade de levantar hipóteses. O fato é: há uma queda de natalidade. São dados. A redução populacional, como mostramos acima neste texto, é uma discussão global, válida e preocupante, inclusive abordado pelas Nações Unidas.
A reportagem identificou que o grupo promove cursos e workshops sobre temas como “síndrome pós-spike” e outros tratamentos sem eficácia científica comprovada.
Prezado Ítalo, você novamente, foi para frases genéricas, acusatórias, de pensamentos sem profundidade ou reflexões. Mas vamos lá.
O vírus da COVID-19 possui uma proteína chamada spike. As vacinas COVID-19 também possuem partes do vírus, que fabrica a proteína spike.
Então, todos que superam a doença natural ou depois de tomarem as vacinas, superaram a proteína spike. Você também pode chamar isso, genericamente, de pós-covid, COVID longa ou também pode chamar, ou ser confundido, com efeitos adversos das vacinas. A “síndrome pós spike” está na literatura científica. Ela pode perdurar por meses no corpo. Isso foi detectado em mais de um estudo. A proteína spike é patogênica por si só, causando inflamação, danos endoteliais e efeitos em órgãos como coração, cérebro e rins, independentemente de vir do vírus ou ser produzida por vacinas genéticas.
O fato é que tem gente sofrendo com isso hoje. Temos, por exemplo, um estudo “padrão ouro” com follow-up de longo prazo (especificamente sobre COVID longa) publicado em 2023 no The Lancet Infectious Diseases: “Outpatient treatment of COVID-19 and the incidence of post-COVID-19 condition over 10 months (COVID-OUT)”
Resultados principais sobre COVID longa: metformina, um medicamento barato, genérico, sem patentes, tomada por 14 dias logo após infecção reduziu o risco de COVID longa em cerca de 41% (incidência de 6,3% no grupo metformina vs. 10,4% no placebo, redução absoluta de 4,1%).
O que precisa ser, para vocês, da Lupa, uma “eficácia comprovada”? Ser lucrativo? Nós estamos aqui para informar a população, reduzir sofrimentos, salvar os pacientes, e não vamos fugir disso porque a big pharma ainda não trouxe uma solução cara, patenteada, propagandeada, patrocinada. O que importa para nós são os estudos científicos, é a a ciência.
Querem mais exemplos? Vamos falar apenas de efeitos adversos. Vamos para o estudo original da vacina Moderna, que foi aplicada no Brasil, publicado no New England Journal of Medicine. Vamos para o suplemento do estudo, página 40.
Na tabela S9, “Not at risk” são as pessoas saudáveis (sem risco de morrerem de covid) que tomaram duas doses.
– Dos 11.255 que tomaram placebo, 1 teve efeito adverso GRADE 4.
– Dos 11.329 tomaram a MODERNA, 11 tiveram efeito adverso GRADE 4.
GRADE 4 é um efeito colateral ameaçador à vida ou incapacitante, extremamente severo que representa um risco direto à vida do paciente. É um efeito adverso que precisa de intervenção médica urgente. E isso se deu em 1 pessoa a cada 1000 no estudo.
São dados.
Se vocês, da Lupa, fizessem jornalismo investigativo de verdade, deveriam perguntar para a New England Journal of Medicine o motivo de não terem feito um cálculo de p-valor nisso, porque ele é significativo. Sim, significativo em um estudo randomizado, mas esquecido.
Mais um exemplo? O Wall Street Journal publicou um artigo cobrando responsabilidade. Eles se basearam em um estudo da Cleveland Clinic que mostrou que quanto mais doses de vacina COVID são tomadas, maior a chance da pessoa pegar COVID. São dados sólidos, de médio prazo. Ou seja, as vacinas danificaram o sistema imunológico das pessoas.
Ou seja, temos pessoas sofrendo hoje. Não as abandonaremos fingindo que esses dados não existem. Não as chamaremos de malucas por estarem sentindo o que estão sentindo. Damos subsídios para que os médicos possam utilizar as melhores evidências científicas disponíveis para que possam tratar seus pacientes. Não recomendamos fazer “Gaslighting” com os pacientes, que é uma forma de manipulação psicológica onde o abusador distorce a realidade para fazer a vítima duvidar de sua própria sanidade.
Como o MPV responde à crítica de que esses conteúdos contrariam o consenso científico?
Agora não dá para saber do que você está perguntando. Síndrome pós spike seria contra algum consenso? Está na literatura científica, registrada, documentada. Tratamentos para COVID longa estão na literatura, em estudos de qualidade. Efeitos adversos graves estão documentados na literatura também, inclusive, no estudo original, publicado pela própria fabricante. E digamos, 1 a cada 1000 não é tão raro.
Mas o que impressiona a nós é a abordagem da imprensa que finge que nada disso ocorre. É o “gaslighting” que nós recusamos a fazer nas pessoas que sofrem. No exterior, a mídia mainstream resolveu não alienar as pessoas com a profundidade que a Agência Lupa decidiu alienar.
Esta semana mesmo, no Observador, de Portugal, a colunista Teresa Gomes Mota cobrou responsabilidade do governo, não fingimento que nada disso está ocorrendo.
“Com a vacinação contra a Covid-19, Portugal assistiu ao maior volume de notificações de reações adversas a medicamentos (RAM) de toda a história da sua farmacovigilância. Este recorde absoluto é corroborado pelos dados das congéneres europeias, americanas e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Perante esta realidade inequívoca, o Infarmed limitou-se a blindar-se com uma verdade conveniente: a de que a notificação de suspeitas ‘não implica necessariamente uma relação definitiva de causa-efeito’”, escreveu a colunista.
“Traduzido para linguagem corrente, o que a autoridade do medicamento sugere é que tudo pode ser uma trágica coincidência, um erro de diagnóstico dos profissionais de saúde ou a pura ignorância de doentes que nada sabem de medicina. Ao reduzir milhares de relatos a ‘meras suspeitas não confirmadas’, as autoridades descartam a responsabilidade e sacodem a culpa das vacinas contra a Covid-19”, complementou.
Ela explicou a base de sua cobrança: “Um Estado que impõe ou promove agressivamente uma medida sanitária tem a obrigação moral e legal de assumir as suas consequências”.
Não, Agência Lupa, nós não vamos ajudar vocês a fingir que nada disso está ocorrendo. Não vamos ajudar como mercadores da dúvida. Há pessoas sofrendo agora.
O movimento afirma reunir cerca de 20 mil médicos signatários. Como esse número é contabilizado? Há alguma forma de verificação independente ou lista pública dos integrantes?
O engajamento se alterou ao longo do tempo, mas nós não nos colocamos apenas como defensores dos médicos atacados, perseguidos ou difamados entre apenas os membros do MPV. Nos posicionamos em defesa de todos que estiveram do lado certo na pandemia, sendo associados formais ou não.
Neste artigo de checagem, defendemos os médicos Francisco Cardoso, Roberto Zeballos e Paulo Porto de Melo, que não são filiados ao MPV, mas que foram atacados pelo jornal. São médicos sérios, que estiveram do lado certo. Inclusive, este texto fala da própria spikeopatia (ou síndrome pós-spike). Vocês poderiam ter feito a lição de casa para nos poupar de ficar citando os mesmos estudos científicos.
O grupo mantém parceria com organizações internacionais como o World Council for Health e a Independent Medical Alliance. Qual é a natureza dessas parcerias e que tipo de cooperação existe entre as entidades?
Eles estavam do lado certo da pandemia. Além disso, são médicos com histórico de profundo conhecimento. Damos exemplos: aqui está um protocolo para tratamento de síndromes pós vacinais. Foi organizado pelos médicos Paul Marik e Pierre Kory, professores de medicina e também perseguidos nos EUA pelo mesmos motivos que os médicos daqui são difamados, atacados e perseguidos.
Institucionalmente, recomendamos o IMA como referência, assim como o WCH, mas não temos nenhum vínculo financeiro, apenas trocamos informações e experiências com os maiores estudiosos do mundo sobre esses assuntos.
Integrantes do MPV afirmam que houve aumento de abortos espontâneos provocados pelas vacinas contra a Covid-19. Quais estudos científicos revisados por pares embasam essa afirmação?
O estudo mais contundente trazendo dados disso foi noticiado pelo MPV. Vem de Israel, que possui um dos bancos de dados mais rigorosos do mundo. Foi liderado por Josh Guetzkow, da Hebrew University of Jerusalem Jerusalem, com outros cientistas importantes, como do MIT, dos EUA.
Na notícia, na época, explicamos os dados: “Gestantes vacinadas com a primeira dose da vacina de mRNA (principalmente Pfizer) entre as semanas 8 e 13 de gestação apresentaram cerca de 3,9 perdas fetais adicionais a cada 100 gestações, em comparação com o número esperado com base em dados históricos (13 contra 9 esperadas)”.
O estudo ainda não é revisado por pares, mas publicamos por dois motivos: o primeiro é que confiamos na análise dos cientistas, eles são de alto nível. O segundo ponto é que falar em revisão por pares, muitas vezes, beira a inocência, sendo apenas modos de tentar atrasar ou desfazer fatos. O que sustenta essa nossa conclusão é que raramente os resultados mudam na publicação final, diz a ciência.
Lembramos que diversas pesquisas mostram que os resultados de pré‑prints, como o estudo israelense em questão, raramente mudam após a revisão por pares. Por exemplo, uma meta‑epidemiologia baseada em 114 ensaios clínicos (44 pré‑prints e 70 artigos publicados) concluiu que não houve diferença estatisticamente significativa nos resultados entre versões pré‑print e publicadas (ROR = 0,88; IC 95 %: 0,71–1,09).
Além disso, confirmando o achado, uma análise cruzada de estudos clínicos do medRxiv observou que 74 % eram totalmente concordantes em amostra, desfechos primários, resultados e interpretações, e que, quando havia discordância, essa se devia a alterações pequenas, sem impacto nas conclusões.
E voltando às evidências sobre aumentos de abortos espontâneos, muito provelmente por esses sinais que a Alemanha, recentemente, baniu qualquer recomendação de vacinas COVID-19 para quase todas as pessoas, incluindo para mulheres grávidas.
Desde já o MPV afirma, institucionalmente, que concorda com a ação do governo Alemão, o que, para muitos, pode ser considerado “… questionar a vacinação”.
O grupo defende mudanças na legislação brasileira sobre aborto legal? Se sim, quais alterações propõe?
Não temos nenhum editorial institucional sobre isso. Não é nosso foco principal hoje. Opiniões diversas sobre o assunto são bem-vindas. Quando tivermos um posicionamento neste sentido, publicaremos. Afinal, somos membros da sociedade e temos direito de participar de discussões que moldam a sociedade.
Durante a pandemia, lideranças do MPV defenderam o chamado tratamento precoce e questionaram a vacinação contra a Covid-19. O grupo faz hoje alguma revisão ou autocrítica sobre essas posições, diante das evidências científicas acumuladas?
Bom assunto, Ítalo. Vamos falar de evidências científicas acumuladas. Agradecemos a oportunidade. É o assunto que mais gostamos de falar.
Um pouco acima, aqui, falamos de um contraste brutal: o Brasil ser o único país do mundo obrigando vacinas em bebês e crianças. Único no mundo. Enquanto a maioria dos países da Europa sequer recomendam.
Agora você nos deu a oportunidade de falarmos do segundo contraste brutal que ficou da pandemia.
Todos sabem que o assunto hidroxicloroquina e cloroquina foi tratado como teoria da conspiração e maluquice, tudo “sem base científica”, com até o “comprovadamente ineficaz”. Virou piada, samba, quadros de humor.
Agora você vai abrir uma notícia, Ítalo. Você vai fazer seu trabalho corretamente e conferir o endereço do website, checando rigorosamente a fonte: “Hidroxicloroquina oferece prevenção moderada da COVID-19, mostra grande ensaio clínico”.
Não, não é nenhum site obscuro da internet. Está aí, no site da Universidade de Oxford: hidroxicloroquina (HCQ) é eficaz contra a COVID-19. Lembrando que essa universidade figura, invariavelmente, entre as três universidades mais prestigiadas do mundo em qualquer ranking de relevância, competindo diretamente com o MIT, Harvard e Stanford. Com quase um milênio de história, a Universidade de Oxford foi um pilar fundamental do Iluminismo, desempenhando um papel crucial na transição da humanidade das trevas da Idade Média para a era da racionalidade e do método científico.
É um contraste gigantesco, não é?
Pois bem. Mas há coisas a se reparar nessa notícia de Oxford. A universidade só bateu o martelo porque é uma meta-análise de estudos randomizados. É, portanto, o nível de evidência mais alto possível que um medicamento pode chegar.
Para se ter uma referência, segundo um estudo publicado no JAMA em 2019, apenas 8,5% das recomendações das maiores diretrizes cardiológicas americanas possuem esse nível de evidência (múltiplos ensaios clínicos randomizados). Ou seja, apenas para inverter a conta: 91,5% das orientações que médicos seguem em cardiologia se baseiam em evidências mais fracas do que as que Oxford apresentou para a HCQ.
Portanto, HCQ contra a COVID-19 está em um seleto grupo entre os medicamentos mais comprovados que existem. Exatamente por isso, Oxford não usou aquela linguagem cuidadosa dos estudos científicos, como “pode ser eficaz”, seguido de “mais estudos precisam ser feitos”. Bateu o martelo que é eficaz, sem dúvida alguma.
É um estudo revisado por pares e publicado em um periódico científico médico. Mas também virou notícia no site de Oxford. Ou seja, não dá para jogar dúvidas de que “são pesquisadores de Oxford, não é da Universidade de Oxford”, tentando mudar de lugar as traves do gol. Teve aval inequívoco da instituição.
Continuando ainda, na notícia, colocaram a foto dos pesquisadores. São mais de 70 pessoas que assinam o estudo, para não ter muita discussão, cara feia e gritaria. Até porque gritaria e desejo pessoal não adianta nada para a ciência. Além de tudo isso, entre os que assinam, está o Sir Nicholas John White, um cientista com H-index maior que 200. É o maior especialista do mundo em doenças tropicais.
Ainda assim, há questionamentos sobre esse estudo de Oxford, que se a Agência Lupa fosse interessada em fazer jornalismo, já teria publicado a notícia e, inclusive, feito essas perguntas.
A primeira questão é: por que Oxford levou mais de 800 dias para publicar o resultado do estudo? Você consegue pensar em algum motivo para que tão importantes resultados terem ficado numa gaveta por mais de dois anos?
Oxford fez seu ensaio clínico “padrão ouro” em profilaxia pré-exposição (quando você toma o medicamento antes de ter contato com o vírus, com o objetivo de evitar o contágio). No ensaio de Oxford, o uso de cloroquina e hidroxicloroquina mostrou uma redução de 57% nos casos de COVID-19 confirmados por PCR. Depois, no mesmo estudo, fizeram uma meta-análise. Ou seja, juntaram esse ensaio clínico com outros semelhantes de profilaxia pré-exposição. Todos os anteriores também eram positivos.
A segunda questão é: por que, no meio do estudo, eles alteraram o desfecho para soroconversão? Os estudos de vacinas não utilizaram isso. Todos utilizaram o exame PCR. Soroconversão mede apenas se o corpo produziu anticorpos, não se a pessoa ficou doente de verdade. Será que, alterando o desfecho, o resultado fica, como explícito na manchete, “moderado”?
Nota para fechar este assunto: esta meta-análise de Oxford é de profilaxia pré-exposição, quando você toma a hidroxicloroquina com o objetivo de evitar a infecção. Neste uso, chegou ao nível máximo, máximo mesmo, de evidência. Mas a HCQ também é muito eficaz para tratamento precoce, ou seja, quando toma-se o medicamento nos primeiros dias depois de infectado, com o objetivo de evitar agravamento da doença. Temos boas evidências disso. E também eficaz em profilaxia pós-exposição. Quando você tem contato com alguém infectado e toma o medicamento com o objetivo de evitar infecção. As evidências são boas, mas não máxima. (Detalhe: não é eficaz em pacientes intubados, na hora da extrema unção, em overdose. Sim, tivemos estudos em overdose que foram para as capas dos jornais mais importantes do mundo).
Agora vamos colocar isso na proporção correta: com a eficácia que Oxford confirmou em profilaxia, de modo inequívoco, e que sofismas, por mais sofisticados que sejam, não desfazem, a pandemia poderia ter sido encerrada em 2020. (Agora, Ítalo e leitores, imaginem isso, mais a vacina BCG que já citamos antes, mais o tratamento precoce, que já informamos os dados). No caso, a pandemia teria passado como um “não acontecimento” em vez do maior trauma da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial. Milhões estariam vivos, e bilhões com maior bem estar social, em melhor situação econômica. Além disso, pequenos empresários e países inteiros estariam com menos dívidas com banqueiros.
Entretanto, neste cenário paralelo, teríamos um lado negativo: muita gente que está hoje na Forbes não estaria lá. Muitos patrocínios milionários, incluindo agências de checagem, não teriam ocorrido.
Portanto, diante das evidências científicas acumuladas, como solicitou, quem faz perguntas agora à Agência Lupa somos nós.
Vocês, da Lupa, publicaram 76 (setenta e seis) matérias com a tag “hidroxicloroquina”. Todas, absolutamente todas, focadas, colocando toda força possível, para afastar pacientes do tratamento. Aqui fazemos uma lista de exemplos entre as mais e 70:
2. Desinformação e mensagens sobre a hidroxicloroquina: da pressão política à disputa científica
3. Meta-análise de pesquisas indianas não prova que hidroxicloroquina previne Covid-19
6. É falso que médicos de 30 países confirmam a eficácia da cloroquina
Deixemos colocar em contexto: para quem entende de evidências científicas de tratamentos, para os que estavam na linha de frente vendo resultados ao vivo, mas ouvindo, massivamente, insultos às suas intuições, era absolutamente claro que, hora ou outra, hidroxicloroquina chegaria ao grau máximo de evidência científica.
A pergunta à Agência Lupa: vocês sonham com velórios, gente chorando, coroas de flores, e coveiros todos cobertos com duas ou três máscaras?
Bate algum peso na consciência ou o pensamento é algo parecido com “cumpri ordens”, como explicam todos em situações parecidas, segundo Hannah Arendt, em “Banalidade do mal”?
Como o MPV avalia as conclusões da comissão da CPI da Covid e as acusações feitas contra sua atuação?
Lembramos bem da CPI da COVID. O auge daquela investigação foi quando deram o microfone para a Dra. Luana Araújo, apelidada pela imprensa de “a musa da CPI”. Ficou famosa. Foi um estouro. Ela ganhou até um ensaio fotográfico sensual na Folha de S. Paulo.
Luana, no auto de suas certezas, declarou: “Discutir cloroquina é ‘escolher de que borda da Terra plana a gente vai pular’”. Isso foi, logo depois, parar no Jornal Nacional.
Com algo dessa proporção, muitos médicos deixaram de ousar tentar tratar pacientes. Afinal, ninguém pode deixar sua reputação ser associada a malucos, doidinhos de todas as espécies, nóias, gente sem noção da realidade, negacionistas da ciência e malucos terraplanistas, certo?
Por isso, aqui, nós pedimos um favor a Agência Lupa. Com a notícia inequívoca da eficácia da HCQ no site de Oxford, podem, por favor, perguntar à Dra. Luana Araújo se Oxford é terraplanista?
Como segunda pergunta, você, Ítalo, pode questioná-la se, quando está parada, calma, à toa, ela sente o cheiro de velas de velórios de 700 mil pessoas? Estamos curiosos em saber.
Posteriormente, Luana participou de um encontro promovido pela Pfizer em sua sede em São Paulo. Era um encontro despretensioso chamado: “Movimento Juntos pela Proteção”. Certamente uma coincidência ela estar na sede da Pfizer, assim como é uma coincidência o logo da Lupa, como parceira, ao lado do logo da Pfizer e da Moderna.
A reportagem aponta que o grupo passou a priorizar plataformas como Telegram, Gettr e X após restrições em outras redes sociais. Essa estratégia foi deliberadamente adotada? Qual a justificativa?
Esta pergunta, Ítalo, exala ingenuidade. Não é uma pergunta de quem se aprofundou no assunto. Ela, inclusive, “conversa” com algumas declarações e perguntas anteriores. Nós vamos respondê-la, explorando a questão com alguma profundidade, porque muitas pessoas que vão ler estas respostas também não se aprofundaram.
Qual a grande questão aqui? Para uma parcela da população, o que as redes sociais fizeram na pandemia foi correto. No pensamento delas, as big tech estavam limpando desinformação em um período importante, de crise, e que isso seria absolutamente necessário, pela saúde de todos.
Essa parcela da população só pensa isso porque não sabe o que foi censurado, como foi censurado e quem coordenou a censura. Isso será ilustrativo do ponto de vista do que já falamos antes, aqui, nessas respostas: a captura regulatória.
Com o passar do tempo e investigações aprofundadas, já sabemos quem coordenou a censura nas redes sociais. Com o caso Murthy vs. Missouri na justiça dos EUA, descobriu-se que a Casa Branca e agências federais, como o CDC, estavam pressionando as redes sociais para censurar qualquer questionamento da narrativa COVID. O próprio CEO da Meta, Mark Zuckerberg, em depoimento, confirmou as pressões.
Um dos exemplos mais icônicos de censura em toda a pandemia foi o banimento, no Facebook, de uma reportagem investigativa da BMJ – British Medical Journal. A reportagem revelou denúncias de Brook Jackson, ex-diretora regional da Ventavia, sobre falhas graves de integridade de dados e falsificação de informações nos estudos da vacina COVID-19 da Pfizer.
Quando essa matéria, que já tinha sido ignorada pela grande mídia, era compartilhada no Facebook, era instantaneamente censurada. Logo depois, editores do The BMJ enviaram uma carta aberta a Mark Zuckerberg protestando contra a censura e checagem de fatos imprecisa aplicada pelo Facebook. A carta, assinada por Fiona Godlee e Kamran Abbasi, solicita a remoção de restrições ao artigo e critica a “Lead Stories”, empresa terceirizada de checagem de fatos, chamando o processo de irresponsável.
Vamos colocar isso na proporção correta: não estamos falando de algum abobado qualquer falando bobagem na internet. O BMJ é um dos periódicos científicos mais antigos, lidos e influentes do mundo, com quase 200 anos de história. A reportagem era revisada por pares, com provas. A vacina Pfizer foi uma das mais comercializadas durante toda a crise, faturando mais de US$ 90 bilhões.
Isso é captura regulatória. As corporações capturaram os órgãos do governo para que ele atue com o objetivo de censura de críticas a seus produtos. Ou seja, a big phama não captura apenas sociedades médicas e checadores de fatos em todos os lugares. A captura chega à Casa Branca e muitos governos de todo o mundo.
Diante desses fatos, Ítalo, que dizemos que apenas um alienado acusa alguém, genericamente, de “… questionar vacinação” como você fez, como se fosse algum pecado. Se não é para questionar diante de uma séria denúncia de origem insuspeita, mostrando inconsistências do estudo original e falsificações de informações, é para questionar quando?
Agora direto à sua resposta: sim. Sofremos censura. Passamos a priorizar onde conseguíamos ter liberdade de expressão. Precisamos ir migrando de plataformas, driblando censura – por isso, muitos de nós, muitas vezes precisamos falar em códigos: “experimento”, “picadinha”, para ludibriar os algoritmos censórios automáticos. Absolutamente tudo era válido para comunicar a verdade do que estava ocorrendo com a população. Tínhamos vidas para salvar. Milhares morriam por dia e COVID sempre teve tratamento rápido, fácil, disponível, altamente eficaz, com medicamentos genéricos, baratos e sem patentes. Com o tratamento, era muito mais difícil o paciente morrer de COVID.
Há algum ponto da reportagem ou da caracterização do Médicos Pela Vida com o qual o grupo discorde e considere importante esclarecer ou corrigir?
Sabemos qual será o próximo passo. Sua reportagem está pronta, montada. E entendemos também o mecanismo psicológico de todos que se defrontam com os dados e fatos que mostramos nessas respostas. Você vai passar para algum “especialista” e ele vai dizer tudo que você quer ouvir. Como é exatamente o que você deseja ouvir, você não terá senso crítico algum diante de incoerências, sofismas e omissões. Há uma busca de conforto e validação entre você, Ítalo, e os “especialistas” que vai consultar. Ou seja, o especialista vai querer se enganar e você vai querer ser enganado.
É um fardo muito pesado, principalmente para um suposto especialista, profissional da área, assumir que colocou todo esforço possível para afastar pessoas de tratamentos eficazes. E foram diversos: HCQ, ivermectina, budesonida, fluvoxamina, vitamina D, própolis, até enxaguante bucal foi altamente eficaz, entre dezenas de outros.
Portanto, quando publicar a reportagem, faremos, aqui, em nosso website, uma tréplica, explicitando todos os sofismas, omissões, incoerências brutais. Volte para ler.
Além disso, vamos explicar, baseado na história, outro mecanismo. Nós, do MPV, nos levantamos contra os poderes de grandes corporações, sempre citando e explicitando o poder monetário incomensurável, o de patrocínios para todos os lados, o poder quase total de captura regulatória, para que implantem sua narrativa, difamando e perseguindo todos os críticos.
Mas há um aspecto a mais. Este, nem envolve conflito de interesses. Vamos lembrar de Ignaz Semmelweis, médico húngaro do século XIX. Em 1847, enquanto trabalhava no Hospital Geral de Viena, Semmelweis notou que a taxa de mortalidade por febre pós-parto na ala de obstetrícia de médicos era três vezes maior que na ala de parteiras.
Ele concluiu que os médicos transportavam partículas de cadáveres das salas de autópsia diretamente para as pacientes. Ao implementar a higienização obrigatória, a mortalidade despencou de cerca de 12% para menos de 2%.
Sim, apenas isso. Ele começou a falar que para reduzir mortalidade, era para os médicos lavarem as mãos. O resultado era claro, brutal.
Apesar dos resultados claros, “a ciência” rejeitou e ridicularizou sua orientação. Semmelweis foi atacado, afastado e hostilizado de todos os modos. No fim, difamado, deram um jeito de interná-lo à força em um manicômio, onde foi espancado e morto aos 47 anos.
Levou mais de 20 anos após sua morte para que a simples lavagem de mãos de médicos virasse recomendação. Durante essas duas décadas, mulheres morreram aos montes, enquanto todos fingiam que seus dados não provavam nada.
Ou seja, na história, aprendemos que, no ramo, é imperdoável salvar vidas, porque ao fazê-la, se está apontando incompetência de uma maioria.
Agradeço o retorno e estou à disposição para qualquer esclarecimento.
Atenciosamente,
—
Ítalo Rômany
Repórter
Nós agradecemos. Trate de dar link, na matéria, para essas respostas na íntegra.
MPV – Médicos pela Vida