O Tamiflu, um medicamento para a gripe fornecido pelo SUS, passou pela primeira vez por um estudo “padrão ouro”, ou seja, randomizado. O resultado, da comparação entre pacientes que tomaram o medicamento ou o placebo, foi que o medicamento provocou a morte de mais pacientes.
“O tratamento com oseltamivir é ineficaz e altamente propenso a aumentar a mortalidade em 90 dias em pacientes gravemente enfermos com influenza”, escreveram os cientistas no estudo.
O estudo, publicado em pré-print e feito por cientistas canadenses, recrutou 442 pacientes com 12 anos de idade ou mais. O início do medicamento foi em pacientes hospitalizados.
Desenho do estudo
- 162 pacientes receberam tamiflu (oseltamivir) por 5 dias
- 156 pacientes receberam tamiflu (oseltamivir) por 10 dias
- 124 pacientes não receberam o antiviral
Resultados
No dia 90 do estudo, os resultados eram:
- No grupo sem medicamento, 13,7% estavam mortos.
- No grupo de 5 dias de tratamento, 19,8% estavam mortos.
- No grupo de 10 dias de tratamento, 19,4% estavam mortos.
O estudo foi interrompido pelos cientistas por excesso de mortalidade entre os tratados.
Histórico nos EUA
O medicamento foi aprovado pela FDA em 1999, mesmo sem estudos randomizados. Por ano, apenas nos EUA, são prescritas quase 2 milhões de doses. “Provavelmente matou dezenas de milhares de idosos americanos, e muito possivelmente mais de 100.000, desde que a farmacêutica suíça Roche o lançou há 27 anos . No entanto, os jornalistas de saúde da grande mídia desprezaram completamente o estudo”, afirmou o jornalista de saúde Alex Berenson.
A Roche vendeu cerca de US$ 20 bilhões em Tamiflu em todo o mundo entre 1999 e 2016, quando sua patente americana para o medicamento expirou. Suas vendas atingiram o pico de US$ 3 bilhões em 2009, quando a histeria em torno da gripe suína levou governos do mundo todo a estocar o medicamento.
No Brasil: comprado pelo SUS
Em farmácias, o preço de uma caixa com 10 cápsulas do medicamento genérico custa em média R$ 150. Para manter o abastecimento nacional, o Ministério da Saúde projeta compras anuais que variam de 13 milhões a 18 milhões de cápsulas encomendadas diretamente à Farmanguinhos/Fiocruz.
Portanto, dependendo do laboratório parceiro e do volume exato adquirido, o gasto anual do Ministério da Saúde flutua entre R$ 50 milhões e R$ 95 milhões.
O que dizem as revisões em casos leves?
A eficácia do Tamiflu já era questionada para casos leves de gripe. Uma grande revisão sistemática da rede independente Cochrane apontou que o oseltamivir não reduziu o número de internações hospitalares entre os participantes de estudos de tratamento, apenas reduzindo em algumas horas os sintomas, com baixa certeza, mas com diversos efeitos adversos.
Fonte:
Oseltamivir for Critically Ill Patients with Influenza: A Randomised Trial