Bolha de filtro, câmera de eco ideológica

Como isto distorce a compreensão da realidade e limita a capacidade intelectiva daqueles que são por elas limitados

Bolha de filtro, câmera de eco ideológica, são termos que descrevem fenômeno que concorre para limitar o espectro de absorção e compreensão de ideias, conceitos e formação individual de valores éticos, morais, filosóficos, ou até mesmo de saúde, científicos.

Muitas pessoas passam a escolher e ouvir apenas determinada linha ideológica. Não demora para que passem a acreditar que todos, ou os mais “inteligentes e sensatos”, pensam assim.

Reforçam suas “convicções” acessando apenas quem diz a mesma coisa e relacionam-se exclusivamente com quem compartilha o mesmo tipo de discurso.

Não só há tendências individuais, características de personalidade que levam a isto, mas ainda mais grave, mecanismos de busca, como Google, FaceBook, Yahoo e outros, por seus algoritmos, coletam dados de cada usuário e passam a mostrar-lhes apenas resultados e páginas que combinam com a maioria de suas preferências decorrentes de acessos anteriores, à exclusão de outros possíveis resultados.

O mesmo ocorre com jornais, sejam de papel (ou Internet) ou televisivos, de rádio, que há muitos anos, muito especialmente e mais intensamente em nações ditas civilizadas a partir de 2020.

Eles selecionam matérias e ainda as apresentam de modo ideológico, de modo que condiciona e limita o conteúdo de quem os utiliza para apenas supostamente ficar “informado”.

Isto é algo extremamente comum, apesar de seu absurdo, e alcança até mesmo comunidades tidas como “intelectualizadas”, como a médica, a jurídica (o problema agrava-se entre aqueles que têm algum poder sobre terceiros), entre tantas outras.

Isto acentua-se a tal ponto que, realizada uma mesma pesquisa em Google, por exemplo, duas pessoas podem chegar a resultados e links inteiramente diversos.

Logo ocorrem graves distorções, cada vez mais radicais e afastadas do mundo real, ainda que cuidadosamente oculto por interesses de poderosos econômicos e políticos, bem como do senso comum da sociedade.

Isto sem falar em altas autoridades de Estado, (ou mesmo líderes de empresas), muitas vezes cercadas por toda sorte de lacaios e sicofantas, que os enchem de elogios (para ganhar aceitação e vantagens pessoais), a despeito do absurdo que muitas vezes expelem em decisões esdrúxulas, contrárias ao interesse público, e que chocam pessoas de bem.

Sábio e prudente mostra-se aquele capaz de haurir informações de diferentes fontes, mantendo sempre o coração e a mante abertas, aprendendo com o tempo a bem distinguir fatos de mera expressão de conteúdo ideológico ou de vontade de quem os comunica, e que assim podem evoluir para formar cada vez melhor suas opiniões e decisões.


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Foto de Carlos Eduardo Fonseca da Matta

Carlos Eduardo Fonseca da Matta

Formado pela Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte), em dezembro/1983, é Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo. Exerceu a advocacia em Belo Horizonte, MG, desde sua formatura na faculdade até o ingresso na carreira do Ministério Público do Estado de São Paulo em maio/1985, quando foi aprovado em primeiro lugar.