Um estudo recente, publicado em abril de 2026, já revisado por pares e envolvendo aproximadamente 400 mil pessoas de uma região inteira da Espanha, não conseguiu encontrar efeitos positivos das vacinas de gripe para crianças de 6 meses a 5 anos de idade.
“A vacinação sistemática contra influenza em crianças de 6 a 59 meses de idade não demonstrou associação com a redução de casos de influenza em unidades de atenção primária ou hospitalares”, concluíram os cientistas no estudo, que incluíam pesquisadores de conceituadas instituições espanholas, como a Universidade Central da Catalunha.
A pesquisa analisou 6.804 diagnósticos de influenza na atenção primária e 3.252 internações relacionadas à gripe registradas entre 2018 e 2025, comparando as temporadas anteriores e posteriores ao início do programa pediátrico, em 2023. A metodologia utilizada foi a análise de séries temporais, considerada mais rigorosa para este tipo de avaliação.
Os resultados mostraram que, após o início da vacinação, não houve redução mensurável nos diagnósticos de gripe nem nas admissões hospitalares nas faixas etárias-alvo (0–2 e 2–4 anos). Os pesquisadores também investigaram se a vacinação das crianças teria gerado proteção indireta para outros grupos da população, o chamado efeito de rebanho, mas tampouco identificaram redução significativa nas hospitalizações por gripe no conjunto da região.
Ou seja, o programa não conseguiu produzir um benefício mensurável e concreto na faixa etária específica para a qual foi criado.
O estudo está publicado na revista Vaccines e pode ser acessado pelo link da publicação original.
Comentário MPV
Esses resultados não são inesperados. Recentemente, um estudo da Cleveland Clinic descobriu que as vacinas contra a gripe estavam associadas a um risco 27% maior de gripe entre os profissionais de saúde durante a temporada de 2024-2025, conforme noticiado pelo MPV em 2025.
