Resumo
A fluoretação universal da água foi uma política pública do século passado. Na época, fazia sentido. Hoje, não mais.
- Risco existe: exposição ao flúor, mesmo em níveis antes considerados seguros, está associada à redução do QI em crianças (revisão sistemática no JAMA Pediatrics).
- Benefício não é claro: com a ampla disponibilidade de cremes dentais, a fluoretação da água adiciona pouco ou nenhum benefício comprovado na redução de cáries (revisão Cochrane 2024).
O MPV propõe abolir a adição forçada de flúor à água potável e substituí-la por medidas mais seguras, eficazes e justas – acesso universal a cremes dentais, educação em saúde bucal, educação alimentar, acesso a cuidados odontológicos e monitoramento independente.
1. O que mudou desde 1975
O Brasil tornou a fluoretação da água obrigatória há 50 anos. Naquele contexto, o flúor na pasta de dente não era universal, e as evidências disponíveis apontavam forte benefício na prevenção de cáries. Mas esse mundo não existe mais.
Hoje, praticamente toda pasta de dente vendida no país contém flúor. crianças de baixa renda têm acesso a cremes dentais via programas públicos e escolas. A exposição ao flúor deixou de ser controlada, ela ocorre por múltiplas fontes: água, pasta, alimentos processados e sucos industrializados.
O que era uma política de saúde bucal tornou-se um experimento populacional não monitorado, com riscos neurológicos documentados e benefícios cada vez mais questionáveis.
2. O risco de redução de Qi existe e não pode mais ser ignorado
Em 2024, o JAMA Pediatrics publicou uma revisão sistemática com meta-análise de 74 estudos, envolvendo dezenas de milhares de crianças. A conclusão foi direta: a exposição ao flúor está associada à redução dos escores de QI infantil.
Mesmo em concentrações inferiores a 1,5 mg/L nível frequentemente considerado “seguro”, o efeito negativo foi detectado. A análise de dose-resposta mostrou que, para cada aumento de 1 mg/L no flúor urinário, há uma queda média de 1,63 pontos de QI.
Isso é um impacto mensurável no desenvolvimento neurológico de milhões de crianças. Trata-se de evidência científica de altíssimo nível, publicada em um dos periódicos mais rigorosos do mundo.
Neste estudo, parte do sinal de dano vem de estudos com exposição crônica com níveis mais altos. Porém, na ausência de um monitoramento confiável no Brasil, não podemos garantir que essa margem de segurança está sendo respeitada.
3. No Brasil, não há controle e mensuração de dados
No Brasil, a cobertura e vigilância são deficientes: no Projeto Vigifluor (2010–2015, focado em municípios >50 mil habitantes), a fluoretação cobria cerca de 70% desses municípios, mas a vigilância era feita em apenas ~54% dos casos fluoretados (atingindo ~50% da população afetada). Havia desigualdades regionais grandes.
Além disso, uma revisão sistemática recente mostrou que menos da metade das amostras em controles externos no Brasil ficam dentro do padrão. Variações grandes ocorrem mesmo no mesmo sistema, por instabilidade do composto, falhas operacionais ou falta de amostragem adequada.
4. O benefício não é claro. A Cochrane deixou isso evidente
Em outubro de 2024, a Cochrane, referência mundial em medicina baseada em evidências, publicou sua mais recente revisão sobre o tema. A pergunta foi simples: “Adicionar flúor à água previne cárie dentária?”
Para muitos, a resposta foi surpreendente:
- Não foi possível afirmar com certeza se a fluoretação reduz a cárie em dentes permanentes de crianças.
- Estudos realizados antes de 1975 mostraram efeitos claros, mas esse efeito não se reproduz no cenário atual, com pastas fluoretadas amplamente disponíveis.
- A fluoretação aumenta o número de pessoas com fluorose dentária, um risco confirmado.
Em outras palavras: o benefício, quando existe, é pequeno e incerto. O risco, por outro lado, já está bem documentado e é alto. Segundo dados do CDC, dos EUA, entre 1999-2004, o percentual de adolescentes norteamericanos com fluorose dentária chegou a 40,7%.
5. O que o MPV propõe (e o que não propõe)
Não estamos dizendo que a prevenção à cárie não importa. Sim, importa, e muito.
Estamos dizendo que existem formas melhores, mais seguras e mais justas de prevenir cáries do que adicionar um neurotóxico conhecido à água de toda uma população, incluindo bebês que se alimentam de fórmula infantil reconstituída com água da torneira.
Proposta: abolição da fluoretação obrigatória
Ação: revogar a Lei 6.050/74 e impedir nova fluoretação em âmbito estadual ou municipal.
Proposta: acesso universal a creme dental com hidroxiapatita ou mesmo flúor se orientado por odontólogos e baseado em evidências científicas. Lembrando que a mucosa oral possui uma da vias de absorção mais rápidas,: a sublingual – isso funciona tanto para substâncias boas quanto ruins.
Ação: retirar impostos para ficar mais acessível e garantir distribuição gratuita para famílias de baixa renda, escolas públicas e comunidades rurais.
Proposta: educação em saúde bucal e alimentar
Ação: programas escolares e nas UBS sobre escovação e higiene oral.
Proposta: comitê independente de monitoramento
Ação: Avaliar periodicamente os efeitos dos diversos ingredientes, inclusive o flúor dental, se for o caso, e revisar a política com base em novas evidências.
5. O resto do mundo já está revendo essa prática
- Estados Unidos: Utah e Flórida baniram a fluoretação da água potável. A Flórida aprovou a lei em maio de 2025, com vigência a partir de julho.
- Europa: a maioria dos países – incluindo Alemanha, França, Áustria, Finlândia, Dinamarca, Bélgica – não adiciona flúor à água. E seus índices de cárie são iguais ou melhores que os de países fluoretados.
- Harvard Public Health: já documentou que não há diferença significativa nas cáries entre países que fluoretam e países que não fluoretam.
O Brasil não precisa seguir um caminho que a ciência mais rigorosa já começou a abandonar.
6. O que você pode fazer agora
A mudança não virá sozinha. Ela exige pressão informada sobre os tomadores de decisão.
- Compartilhe esta proposta com sua família, seu dentista e seu pediatra.
- Cobre seus representantes – vereadores, deputados estaduais, deputados federais – para apresentarem projetos de lei pela abolição a fluoretação.
- Associe-se ao MPV e ajude a levar essa discussão ao Congresso Nacional e às assembleias legislativas.
- Acompanhe nossos próximos passos: lançaremos uma petição pública e um documento técnico para subsidiar parlamentares.
Conclusão:
Benefício incerto. Risco existente. Essa é a síntese mais honesta da ciência atual sobre fluoretação da água.
Manter uma política de saúde pública apenas porque “sempre foi assim” não é ciência. É falta de ação por inércia, é falta de informação. O MPV defende a abolição da fluoretação obrigatória e a construção de uma política de prevenção à cárie do século XXI: mais segura, mais eficaz e que não coloque em risco o cérebro das nossas crianças.
É hora de modernizar a saúde bucal no Brasil. É hora de abolir o flúor da água.
Fontes
Fluoride Exposure and Children’s IQ Scores: A Systematic Review and Meta-Analysis | Pediatrics
Is Fluoridated Drinking Water Safe? | Harvard T.H. Chan School of Public Health
Does adding fluoride to water supplies prevent tooth decay? | Cochrane